Era para ser uma competição de cinco dias de SUP. Já, desde antes da pandemia.
Agora com a data certa tratei de comprar a passagem, daquelas bem baratinhas que não tem reembolso, e parece que foi só fazer isso, para receber um e-mail da organização; “Ainda não será dessa.”
“Oi?!”
Talvez fosse o universo falando mesmo para eu escapar da chuva e do frio de Portugal.
Destino Tailândia.
Comecei a estudar o país e descobrir de que maneira utilizar os dias, pesquisas me levaram para todo lado, as vontades e descobertas para mais cantos ainda.
Talvez pudesse seguir os passos da minha avó; achei num dos seus diários de viagem a sua terceira (!) viagem para cá. Com 82 anos Zette continuava a explorar o mundo.
Datada do mesmo ano, sobre cofre, a foto dela em cima de um elefante enfeitava a sua sala de jantar.
“Ah, aquilo era Tailândia!”
Bangkok, Chang Mai e Phuket.
Phuket, que eu não tinha intensão de ir, logo entrou na lista (mais para frente explico porque).
Já o Google me mandava para Ayutthaya! Afastada da loucura de Bangkok, que também foi muito pesquisada; mas as minhas vontades pouco passam pelas grandes metrópoles.
O plano inicial estava traçado a capital do antigo reino de Siam, a terra dos templos e ruínas e Budas sem cabeça.
Vamos à isso!
Saindo do aeroporto de Bangkok consegui seguir as placas para pegar o trem até a cidade, já com chip no celular e moeda local na carteira.
Tive ajuda na compra do ticket. O povo é muito solícito e sorridente. Entrei no sky trem, desci no centro de Bangkok. Resolvi que andaria os quase quatro quilômetros até a estação de trem.
Para mim, a aventura está na vivência, na experiência, e no famoso “para conhecer é preciso se perder.”
Foi uma caminhada por avenidas e ruas estreitas, muitas beirando os canais do Chao Phraya.
Vovó fez passeio de barco no rio, como a maioria dos turistas faz; eu tinha pesquisado um paddle mas quando descobri que o rio é extremamente poluído logo mudei de ideia.
É muito admirável pensar nas viagens exóticas de anos atrás. Hoje em dia é tudo fácil; o acesso à informação é fácil. Com um celular na mão a gente sabe exatamente em que estação descer, que trem pegar e assim vai.
Depois de uma longa caminhada embaixo de um sol de 32 graus entrei na fresca estação.
Enquanto estava na fila alguns funcionários locais perguntaram onde eu ia e me direcionaram para o local certo. Aqui a cor do meu cabelo já mostra que eu possa estar precisando de ajuda, e mesmo que não esteja o povo está disposto a ajudar.
“Ayutthaya, o trem parte em meia hora, plataforma dez.”
Quando olho no letreiro vejo destino Chang Mai, meus olhos ficam mareados; “Minha avó foi de trem para Chang Mai!”
Lembro de seu relato sobre as pessoas no vagão de trem.
O trem que eu entrei, sem sombra de dúvidas é o mesmo de vinte anos atrás.
Percebi que na minha passagem tinha lugar marcadoe quando procurava mais uma vez fui ajudada. Umas senhoras passageiras arrancaram o bilhete da minha mão e conversavam entre si, apontaram onde eu deveria sentar, e depois sorridentes me faziam perguntas, e repetiam mais lentamente para ver se eu entedia. Foi hilário!
Na classe 3; Misericórdia! Sem ar condicionado com as janelas do trem abertas eu estava derretendo.
Foram duas horas de viagem, a primeira metade vendo o caos de Bangkok, e parando em todas as estações, a segunda metade já vendo campos, arrozais e templos.
Quando finalmente cheguei já parei para comer num restaurante da estação mesmo: um arroz com legumes. Ainda bem que aqui falavam inglês.
Mais uma caminhada de dois quilômetros até o hotel. Procurando a tranquilidade que li nos posts sobre Ayutthaya (a ver se amanhã encontro).
Amanhã vamos explorar ruínas e templos milenares, fiquem aí!


One Response
Que avó aventura ♡ neta de peixe…♡
Segue o caminho da felicidade, eu estou cá a viajar contigo ♡