71 k Valladolid a Toro Horas de pedal 7 h 21 Horas de viagem 8 h 15
O começo do dia dava indícios de que seria mais um lindo daqueles.
O percurso era plano beirava o rios e passava por alguns vilarejos.
A saída de Valladolid foi fácil; apesar de uma cidade grande é cheia de ciclofaixas e a circulação fica segura. Sábado cedo menos movimento. Perfeito.
Saindo da cidade ficamos felizes com a descoberta “rota do Douro” ; um estradão de terra plano sem carro nenhum.
Pouco mais pra frente encontramos com ele; rio Douro que é tanto nossa casa. Ali parei pra comer o último pão que eu tinha. O pão que o diabo estava por amassar.
Depois seguimos viagem e continuamos em intermináveis estradões cercados de intermináveis plantações.
“Pera aí! Isso já não está tão bonito assim. Epa! O que é isso vento?”
O vento era contra e também contra toda a minha vontade.
Dali em diante eu percebi que tinha que virar a chave da ciclo viagem para a competição.
Competição? Mas a gente nem tá competindo!
“Gordinha, estado de calamidade se chama isso. Pela primeira vez em 12 dias estamos sem comida, sem água lutando contra o vento no meio do…purgatório?”
Seria isso o purgatório? Estamos presas? Perambulando nessa imensidão?
Assim que me sentia.
No único curto trecho abrigado por árvores que achei que conseguiria pedalar o piso era areião! Eu ri da situação em vários momentos, mas agora foca: “Estamos sem água.”
Os 14 quilômetros que faltavam para o próximo vilarejo demoraram a eternidade numa dimensão onde o tempo não existe.
Na aldeia seguinte o único bar da cidade estava cheio. Logo quando chegamos chamamos a atenção.
“De onde está vindo?”
“De Valladolid.”
“Começou tudo onde?”
“Na França!”
“Na França? A gente paga a cerveja.”
E não só. A turma, uma polaca e dois espanhóis me pagaram duas cervejas e comida.
Demos risadas com algumas histórias e eu segui viagem.
Com duas cervejas no sangue depois de horas de esforço sem comida. Imaginem só!
Fui do purgatório ao paraíso em instantes.
Não. Não ficou mais fácil empurrar a bike contra o vento por mais dez quilômetros. Não, as paisagens também não mudaram.
Mas que foi divertido. Ah isso foi!
O dia termina em Toro, com uma vista paradisíaca do nosso rio!


3 Responses
Caramba, essa cerveja era boa,dois homens e uma polaca? Eu vejo três homens 🤣
Esse bar nao tenha comidinha?
Nossa senhora !
– Gordinha vem rápido,que a titia dá comida pra você😁
Hahahahahaha… muito bom! Fico só imaginando esse vento com a gordinha.. hahahahahha.
Que demais os amigos que fez.
E o lugar que chegou que demais!!
Mannaaaa te amo mais que banana
Coitada da minha netinha gordinha!!! Lu vc precisa cuidar mais dela!!! E vc ? A cerveja tava gelada? Comeu o que uma farra e a Polaca falava espanhol?
E agora tem mais trem? Tem Rui?
Ahhhh se eu estivesse aí …. Pegava a carrinha e aí até o inferno passando pelo purgatório!!!! Bjocas