fotos Per Rueda e arquivo pessoal
O dia começa em Puxedo, um vilarejo dentro da reserva. Não tem mais que 50 casas sendo que apenas 20 são ocupadas o ano todo. Celsa, uma moradora apaixonada encabeça o movimento de restauração da Aldeia, encarrega se de nos apresentar seu paraíso, e nele, enaltecer todos os seus detalhes. E são muitos!
Existem painéis pintados com o povo e a tradição e historia local. Quem dá vida aos painéis vive no povoado. Contrates modernos com arquitetura de outros tempos.
Os inúmeros espigueiros estão restaurados ou em vias de. Para os brasileiros de plantão, espigueiro ou canastro são estruturas que parecem mini casinhas ou capelinhas (muitos tem cruz) onde ficava armazenado o milho, para que pudesse secar num local arejado sem que fosse atacado pelos roedores.
Existe poesia em Puxedo, seja nas casas de pedra, no ponto de ónibus, nos banquinhos estratégicamente colocados em suas ruas ao longo do percurso, nas fontes restauradas, nos musgos, ou nas pátinas. Silencio. Incrivelmente mágico estar perdida no meio do monte em ruas de pedra onde o amor aplicado é visível.
Maravilhados deixamos Puxedo para atras e fomos para a trilha do dia o trecho Guende – Lobios da Transfronteriza Geres-Xurés. Para quem esta chegando agora, a Trans Geres-Xurés é uma trilha de 300 k dentro do parque, sendo que 200 k estão em Portugal e 100 na Espanha.
Mas vamos ao trecho do dia; 8 km, começamos em Guende, pertinho de Puxedo, e seguindo as setas com destino a Lobios. O caminho não é exigente em sua maior parte, plano ou uma ligeira descida, entre os bosques muitas vezes emoldurado por muros de pedra cobertos por musgo.
Na turma; jornalistas, blogueiros e agentes de turismo com a missão de mostrar para vocês que estão ai lendo, o quanto vale a pena sair do sofa e se aventurar por esse mundo. Mundo esse, que, no meu caso, está a menos de duas horinhas de casa.

A trilha encontra se bem sinalizada, com placas ou setas nos muros é fácil saber o caminho. Confesso que muitas vezes me perco, divagando como seria explorá-lo de uma só vez, enquanto colho informações com Raul. “Quantos trechos?”
Trezentos quilómetros, divididos em 16 etapas de trekking. Em algumas paradas não existe onde dormir, mas são poucas. Contemplando pequenos povoados, além da natureza, a cultura e historia rica da região.
“Não consigo fazer tudo de bicicleta?”
Existem muitos trechos que não são pedaláveis. Algumas partes na altas montanhas do Geres, pedra, altimetria e passagens que provavelmente exigiriam levar a bike nas costas.
Meus olhos brilham e eu volto presencialmente para trilha.
Depois dos oito km de trilha chegamos a Lobios, na hora do almoço. A parada foi no restaurante Lusitano. Os pratos do dia todos tinham carne, eu pedi apenas o acompanhamento de um deles. Ao perceber que eu não comia carne, o senhor do restaurante delicadamente montou um prato especial para mim. Estava tão fotogênico quanto saboroso. Que delicia!
Quem pensa que o dia terminou por aqui engana se. A tarde ainda fomos aprender sobre as ruínas romanas.
Aquis Querquennis faz parte de um complexo arqueológico, outrora um acampamento romano. Passamos umas boas horas aprendendo sobre a arquitectura do local. Confesso que as vezes deixava de entender o guia que ininterruptamente falava em galego. Falava com o coração. Um “prato cheio” para quem gosta de historia; existem visitas guiadas no local.
Por fim fomos conhecer a igreja visigoda de Santa Combe de Bande, uma das igrejas mais antigas da Galiza.

Amanha tem mais!


One Response
Que rota incrível!
Essas fotos são uma vontade enorme de visitar esses locais!
Obrigado pelo relato ❤️