Trotamontes “Pink” Backyard

fotos Paulo Nunes e Samuel Fritz 

Desde que eu descobri que a haveria a primeira prova da Backyard aqui em Portugal fiquei super entusiasmada. 

O conceito é tão criativo e divertido que me “obrigou” a calçar o tênis e voltar para os treinos de corrida. Coisa que eu não fiz!

É tudo muito simples; uma volta de 6706 metros que você precisa percorrer em menos de uma hora, se conseguir usa o tempo que sobrar para recuperar e larga para a consecutiva. Por quantas vezes conseguir. Ganha aquele atleta que  completar a última volta sozinho.

Foram inúmeros documentários que eu vi a respeito, pesquisei e me aprofundei no assunto que tanto me encanta; a expansão dos nossos próprios limites.

Dia 26 de março finalmente chegou. Eu já tinha a teoria e a estratégia. A Lurdes topou ser a minha apoio e me ajudar com o que fosse preciso nos intervalos.

Com a bagagem de corrida de aventura fica fácil planejar as transições e criar estratégias. 

Armamos o circo; tenda, comida, cadeiras, pistola de massagem, bebidas, cobertores. Até o sol a gente levou.

VOLTA 1 – 6,706

Eu já conhecia o percurso e sabia o ritmo que poderia correr; nas subidas eu podia andar à passo acelerado e aproveitava as descidas para correr. 

Fiz a volta para 50 minutos. Os dez minutos de bônus usamos para por as pernas para cima e receber massagem. Coca Cola não pode faltar.

VOLTA 2 – 13,412 k

O percurso é super técnico e um “rompe pernas” como se diz aqui em Portugal; cheio de sobes e desces, nada longo, mas uma constante variação de altimetria.

Meu posterior de coxa tem me incomodado ultimamente e os quilômetros somados começam a se manifestar.

“Meia de compressão e Coca-Cola!”

Antes de completar a volta a gente passava rente à chegada, o que era bom para planejar com a equipe era péssimo para o psicológico.

Já tava ali, mas na verdade ainda faltava uma boa parte, inclusive a última subidinha lixada!

Santa Lurdes que ouvia meus gritos e respondia com sorrisos.

VOLTA 3 – 20,118 k

Parece que foi pôr a meia de compressão pra sentir os isquiotibiais. A verdade é que, sem muita musculação, começa a desaparafusar tudo.

Reforços na equipe de apoio Zé e Kathy chegaram. Mais festa! 

Eu no percurso me debatendo.

O que vai parar a minha dor?

“Cerveja!”

Tentei ligar para o socorro. Em vão.

Mas completei a volta com sobra; a Lurdes saiu correndo para buscar a pera, o Zé fazia massagem e a Kathy me trouxe a cerveja. Pera com cerveja?! A próxima volta promete.

VOLTA 4 – 26,824 k

Fica tão mais fácil não pensar na quilometragem e só pensar em voltas. O ruim, pra mim, era que meu corpo acusava cada metro.

A gente já começa a perceber o quanto estamos saindo do ritmo. Na quarta volta eu já tinha o percurso à cores de cabeça. Mas contraditoriamente começavam aparecer subidas que antes não existiam.

Menos tempo na área de transição; massagem, troca o tênis, pega o sanduíche de presunto e… “Leva! Já foi dada a largada!”

VOLTA 5 – 32,140 k

Dando graças às árvores do percurso que me serviam de apoio nas descidas. Eu parecia um soldado de chumbo. 

A Lurdes veio me buscar  e só de ver uma cor de rosinha saltitando e gritando já me deu mais ânimos. 

A corrida final a gente já percebia que, dessa vez, provavelmente estouraria o tempo.

Por três minutos. E quer saber?! Ainda bem! Porque como diria minha avó; quem não tem cabeça paga com o corpo.

32,140 k em 4h31! 

A Backyard, para mim, não teve a distância mas teve todo ULTRA apoio! 

Obrigada Lurdes, eu já nem sei mais como agradecer! Mas a nossa conexão é tanta que deve estar chegando todo meu amor ai!

Obrigada Carlos, Baqui, Kathy, Ju pela amizade, apoio, festa!!! Foi mais um dia inesquecível daqueles!

Obrigada Amor pela mensagem que chegou na quarta volta. Me fez chorar! E por tanto que me dá! Ailobiu

Por muitas mais voltas juntos!

Parabéns para todos os envolvidos na organização desse evento espetacular; Flor, Moutinho, Camara de Oliveira de Azemeis e David Malva. Pessoas apaixonadas pelo que fazem movem o mundo!

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