“Esse é nosso laboratorio!”
Diz Moutinho entusiasmado com o percurso das Terras do lidador.
“Já correu a noite?”
Fiz um retrospecto e num flash penso em corridas de aventuras, competir a noite é das coisas que sempre gostei de fazer.
“Uma prova de asfalto no Rio!”
Nada que se compare aos trilhos das terras do Lidador.
Antes mesmo de largar a descrição dos rápidos altos, baixos, curvas do percurso já me encantam; a paixão de Moutinho contagia.
Flower People X em peso para os treze, juntos torcemos na largada dos que correm 20k e trinta minutos depois estávamos alinhados para largar. Lurdes e eu. O Carlos já tinha sumido nessa altura.
“Vamos para a frente, mesmo que sejamos atropeladas.”
A Lurdes que me intimou a correr a prova. A escolha da distância, para nós, que estamos na fase de por distância nos braços, é de fácil decisão;
“Treze quilômetros está ótimo!”
5,4,3,2,1!
Quando largamos já estava escuro, mas não havia frontal que fizesse concorrência à Lua. Soberana no céu límpido, estar ali parecia ser o melhor programa da vida. E era.
Largamos na frente e, como prevíamos, fomos atropeladas.
Por outro lado foi ótimo para saber onde estava na prova; passou uma, duas, três… Epa!
Quando “brigava” posição com a quarta ou a quinta escuto o Carlos:
“Luli cade a Lurdes?”
“Tá pra trás!”
“Boa prova!”
Eu levei uma lanterna de mão. Experiências passadas luzes na cabeça me fazem confusão e ainda tinha a Lua de aliada.
No primeiro momento que o trilho encontrou com a estrada.
“Vai amor, a primeira está a quinze segundos!”
Amor?!? Que surpresa!
Já nos primeiros quilômetros as características da prova gritam; subidas íngremes, curvas fechadas, sobes e desces alternados. Uma montanha russa! Que delícia! A adrenalina acompanha o pace.
“Trinta segundos atrás, as três primeiras estão juntas.”
Ouvindo os gritos a sensação era de correr em equipe mesmo solo, as dicas e torcida que o Rui dava quando encontrava nas encruzilhadas me faziam querer o pódio geral, mesmo que faltasse treino e pernas para isso.
Correr a noite em trilha é divertidíssimo; a marcação é feita por fitas e refletores presos às árvores. Ainda bem que a lanterna era boa porque o piso técnico exige luz; pedras, degraus, barrancos e ops… vou ao chão.
“Cuidado!” No percurso corri grande parte do tempo com pessoas que iam alertando aos obstáculos do caminho. Camaradagem da comunidade trail que ama natureza.
E os Bosques?
Correr nos bosques parecia estar na “Bruxa de Blair” porém numa versão Disney; com luzinhas mágicas que indicam o caminho e a Lua cheia deixando tudo prateado.
Ah, eu já tinha falado da Lua? É! Estava incrível!
Eu nem reparei no relógio que apitava a quilometragem, percebi que demorou muitos quilômetros para o meu ritmo cair, enquanto seguia me divertindo na pista de cross.
A quarta posição estaria consolidada?
Quando corria para o final tentava ouvir as pessoas que vinham atrás de mim e escuto um “dá licença” feminino.
Ah não! Ser ultrapassada no quilômetro final você só pode estar de sacanagem. Mas não. Enquanto corria recebo energias vindas de um gostoso e forte aperto de mão. Era Alice Lopes que chegava para levar o primeiro lugar da prova de vinte quilômetros.
Pódio, para mim, nunca foi objetivo. Objetivo é sempre diversão, pódio pode ser, uma feliz consequência.
O melhor dos prêmios me esperava na linha de chegada.
“Muac!” Adorei a surpresa, amor!
Treze quilômetros e meio, 1:45h, quarto lugar na geral e segundo na categoria.
A Lurdes e o Carlos chegaram juntos logo depois! Yhaaa!
Obrigada aos anfitriões Moutinho e Flor; dá para sentir o amor compartilhado no que vocês proporcionam com maestria; dos trilhos às medalhas!
Venha a próxima!


One Response
Delícia correr a noite ! Tinha vagalume? Curiosa … bjo nas duas campeãs e no Campeão Carlos bjs tb no Babosvky meu queridinho ❤️