Até sempre, Regis!

“Do que você sente falta do Brasil?”
“Do Régis e da Inês.”
Pros mais chegados sempre pude responder a verdade.

Diferentemente de tudo e todos, que sinto falta mas me adaptei sem; Régis e Inês sempre foram a saudade verde e amarela do meu peito.

Conheci o Régis numa aventura exploratória da cidade maravilhosa quando não tinha onde ficar e nem sabia por onde começar.

Sem nos conhecermos pessoalmente, ele nos acolheu e nos levou para uma volta de bike com escalada até o Cristo, onde encontramos com Inês.

A aventura de bike e o dia bem passado na capital carioca selou a nossa amizade intensamente.

Essa mesma intensidade de aventuras, experiências, dias preenchidos de risadas e diversão foi sempre uma constante na nossa vida.
Nunca tivemos um dia “normal”com exceção de uma gripe que nos obrigou a ficar de cama aos cuidados da Brutinha.
Nossos encontros eram sempre regados à bicicleta, corrida e descobertas.

Em 2013 quando inventei que faria os #365 esportes Régis logo se manifestou: “Vem pro Rio que a gente já risca um monte da lista.”

Inês me levou para o slackline, patinar, enquanto Régis me apresentou o campeão de frescobol e arquitetava mais modalidades.

Golzinho!

Jogamos golzinho na praia, divertimo nos como sempre vivemos; como crianças!
Ainda consigo sentir as câimbras na panturrilha de correr na areia e os tropeços nas risadas de um futebol desastrado.

Corremos juntos 5, 10 e até 21k. Fui de pacer ao seu lado num Xterra.

Nos aventuramos por Paraty, Orlando, Campos, São Paulo. Mas eu viajava mesmo era no Rio vivenciando a cidade se tornar maravilhosa através da visão deles.

Vi Brutinha nascer, vi Foquinha, vi os amigos virarem namorados e mais. Fui no casamento porque eles fizeram questão de escolher uma data em que pudesse estar.

Compramos as flores juntos para eu decorar o grande dia. E fiz com todo meu amor.

A gente tinha lingua própria e aventuras batizadas; piriguete, beijinho de jegue, pó da mesma estrela, liga da justiça, tropa de elite. Sinixtro!

Nosso grupo de 3 no Whatssap chamava Hotel Assunção carinhosamente apelidado com o nome da rua que eles moram. Que de hotel não tem nada, é mesmo a “minha” casa no Rio.

Dizem que os melhores amigos são aqueles que a gente não tem cerimônia em abrir a geladeira. Não só! Um dia fiz uma limpa na despensa dos temperos com data de validade vencida. Acho que o Régis me perdoou. Inês nunca mais vai esquecer, né?

“Hotel Assunção” virou “Copa 2022” e numa vídeo chamada o Régis deixou eu ver o pênalti da Inglaterra que a televisão em Portugal não cobria. Maluco por futebol.
Foi a última vez que falamos.

Como se gere tamanha tristeza!?
A saudade além de apertada torna se incurável.

Régis, meu amigo, somos e seremos pó da mesma estrela.
Obrigada pela partilha de vida tão intensa, feliz e colorida.
Prometo cuidar da sua Brutinha!
Até sempre. Com muito amor.

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