Bonete. A volta dos que não foram.

Programa repetido, experiencia diferente. Mais uma vez fomos a pé até a praia do Bonete.

Um típico dia de verão; calor abafado e sol ardido entre as nuvens.

Treze quilômetros de caminhada que a gente faz em pouco mais de 3 horas com direito a parada na cachoeira da Lage para se refrescar e escorregar.

Chegando à praia destino encontramos o barqueiro que tinha levado a gente de volta para casa da última vez.

“Se quiserem voltar comigo, às 3 irei sair por causa da trovoada.”

A caminhada em trilha técnica e barrenta tinha nos exigido o suficiente na ida, apesar de já termos feito um “bate e volta” a pé até a praia remota do Bonete, hoje não seria assim.

O acesso é esse; se não for pela trilha, só pelo mar em pequenos barquinhos que animadamente fazem o serviço de “táxi”.

Sem pressa almoçamos na praia de frente pro mar. O tempo dava indícios de que o barqueiro poderia ter razão. “Vem chuva aí”.

De barriga cheia e já com pingos na cabeça rumamos para a ponta da praia.

“Precisam de barco? Estamos saindo agora.”

Olhando a mini embarcação minha cabeça não conseguia fechar a conta. Peraí! Um casal, duas garotas, mais nós três e o barqueiro. Onde?…

“Vocês duas sentam aqui.” Disse ele apontando para o chão do barco.

A tradicional pergunta de saída “Com emoção ou sem emoção?” não cabia aqui. Estava certo de que hoje não tínhamos escolha.

A chuva entrava junto com as ondas que pareciam querer devolver o barco para a areia.

Nessa manobra de encaixar as pessoas em seus lugares, acelerar para a onda não virar o barco, o marinheiro deixou cair uma peça de madeira que trava o motor, na água. E ao invés de arrancar deu a volta para ver se conseguia reaver a peça.

“Minha madeirinha! Minha madeirinha!”

Eu só pensava; temos todos os ingredientes para uma boa tragédia; falta de coletes salva-vidas, raios e relâmpagos, ondas que podem nos afundar e um marinheiro maluco pedindo para o próprio cliente, nesse caso meu irmão, saltar ao mar:

“Ow! Você pode pegar a madeirinha pra mim?”

Sim, o Tom pulou na água e foi ao resgate da madeira enquanto o barqueiro se degladiava com as ondas. As duas chilenas achavam a maior graça em tudo, o outro casal nem tanto.

Eu tinha um olho no Tom o outro no céu, que cada vez ficava mais preto. Com a madeirinha e irmão de volta no barco era já mais do que hora de irmos embora.

O barco quicava nas ondas. Chovia  e os relâmpagos estavam cada vez mais próximos.

“&$@#%£¥!!!!”

A cara de susto e o palavrão que a Bárbara soltou até me assustaram com o relâmpago que caiu ali.

Ali tá perto! Ainda tentando me convencer de que não estávamos no olho da tempestade. E não, mas suficientemente próximos para invocar toda e qualquer reza, e olha que sou atéia.

“Bárbara olha pra trás! Esse é o buraco do cação.” Me referindo a um famoso paredão de pedra na costeira.

“Eu quero é mais sair daqui!” Nosso marinheiro com sorriso na cara achando graça da desgraça.

Felizmente Babá estava de costas para todas as finas em pedras que tirava nosso barquinho. Não foram poucas.

A curva final para entrar na baía e nos largar na costeira foi mais um suspiro. Saímos do barco e nos despedimos dos nossos companheiros que ainda tinham uma longa viagem pela frente.

Orai vós!

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One Response

  1. Minha Luli, tu és a ateia mais cheia de Deus que eu conheço ( para mim Deus é o amor)♡

    Essas são as verdadeiras aventuras !!!
    Adrenalina ao rubro!!
    Eu deliraria com essa aventura num barquinho♡ ( já o carlos….🙄🤔😂😂😂)

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