Distancia percorrida 33 k * Tempo de Viagem 7 horas
Acordar foi uma doce surpresa; descobrir que o corpo refez se durante a noite.
Começar a caminhar num dia ensolarado nos encheu de ânimo.
Logo estávamos atravessando a linda Ponte em Arcade. O ritmo caiu, continuo de chinelos com a certeza de que eles nos levarão ao destino.
Durante o percurso Bárbara e eu trocamos muita conversa, ideias, partilhamos segredos.
Talvez o Caminho ensine porque sobra tempo para pensar. Agradecer é inevitável. Sempre foi.
Cruzamos com uma portuguesa en passant que nos conta que está fazendo 50 k por dia, logo pede desculpa porque não quer ficar no nosso ritmo de passeio e segue.
“Como era o nome do albergue mesmo?”
Antes dela fugir tratamos de garantir o nosso plano B.
A gente vai chegar em Pontevedra em hora boa para comer! Eu lembro de um polvo delicioso que comi da outra vez. Talvez esse seja o meu sexto caminho de Santiago, cada trechinho vejo história e memórias coloridas pipocam simultaneamente ao caminhar.
Assim sigo sobrepondo contos.
O Google ajuda a lembrar o nome do restaurante, e Santi (apelido carinhoso que batizamos Santiago) já tinha deixado uma mesinha reservada na calçada só para a gente. O polvo e o presunto, mais uma vez, não decepcionaram.
Talvez a gente até chegasse efetivamente em Caldas de Reis porque nosso mindset estava programado para isso, mas Bárbara pediu uma casa com jardim no meio do campo. Santi prontamente atendeu e nos mandou o tal albergue que ele já mandava sinais desde manhã.
Um albergue para chamar de nosso! Alguns quilômetros antes da próxima cidade, sem ninguém, apenas a tal portuguesa. Ela dormiu em um quarto e nós no outro, no meio de beliches desinfetados e isolados. Tempos de covid.
Entre o lençol e a toalha, achei melhor usar a minha canga como lençol. “Vai se secar como?”
Assim termina o dia, partilhando gargalhadas no banheiro enquanto eu tentava me secar com papel higiênico.




2 Responses
Lembrei do dia que fomos juntos remar para o Zêzere e no final do dia, já no campismo fui pronta tomar banho, a satisfação da água foi ótima,mas descobrir que tinha esquecido a toalha….foi péssima😁”quer metade da minha toalha?”(perguntaste) gargalhei, disse que não era preciso e limpei às leggins que tinha tirado …😂
Com o tempo aprendemos a “aguçar o engenho” e a sorrir do que corre menos bem 😊
É bom envelhecer assim♡
Hahahaha são as memórias que ficam ne?! Pra que toalha?