Dornes e o Freixo

 

O plano inicial estava estabelecido há tempos. Tivemos apenas que antecipar um dia devido à uma frente fria que entraria no país. Não muito cedo entramos na água em Foz de Alge para remar no nosso queridinho rio Zezere.

As meninas escolhem com quem querem ir na prancha, e logo as embarcações já tem nome; Ines I e Rainha Sofia. Pedimos permissão para entrar na agua. Nós  costumamos ter esse ritual com a natureza de sempre pedir para entrar, e assim que entramos aproveitamos para agradecer.

O rio Zezere encanta com seus tons, às vezes verdes às vezes azuis numa mistura constante de tons e cores, encanta! As meninas estão super adaptadas às expedições em cima da prancha e vão se entretendo com o entorno e amigos, outrora até tiram um cochilo.

Os oito quilómetros de remada passam rápido com um vento a favor que por vezes é muito bem vindo, principalmente nas paradas para comer; saímos do lugar sem esforço.

Dornes à vista. A torre dos templarios ja desponta no horizonte.

Como ficou documentado; todo mundo lutou muito nessa dura conquista. (Ou não, né Ines?)

Encontramos a irmã, cunhado e sobrinhos para um almoço familia e amigos. Carlos também veio ao nosso resgate na pequena aldeia.

Algumas ideias iniciais da aventura, após um almoço animado, voltaram à tona: “Vamos voltar para Foz de Alge à pé!”. Dividimos turmas e Lurdes, Nuno e eu partimos para o segundo ataque do dia.

O esquema estava armado, se eu não tivesse me lembrado de um pequeno enorme detalhe: “O Freixo!”

Antes de vir para Dornes descobri que existia um Freixo com mais de duzentos e cinquenta anos de idade. Sim, depois do Sr Carvalho (capitulo ainda por ser escrito) eu estou na fase de ir ao encontro e abraço de nossas amigas verdes.

“Não fica aqui, vocês terão que ir até Carril.” _ a mulher do posto turístico de Dornes acabava de nos informar indiretamente que o nosso retorno a pé a Foz de Alge deveria passar por um desvio, e provavelmente teríamos que andar mais do que 16 quilómetros.

Naquele ponto a gente só queria saber do Sr Freixo. ” Vamos à ele!”

Foram um pouco mais de seis quilómetros de subida praticamente para chegar na pequena aldeia, onde numa esquina reina soberano. Ao longe ja se via o que se confirmava no letreiro do cafe vizinho: “O Freixo”.

Eu me emociono com árvores assim. Talvez porque paro para pensar em todo o tempo que se passou ao seu redor, todas as pessoas que estiveram por ali, meus antepassados e família por Portugal circulavam, o cotidiano que passa enquanto as folhas do Sr Freixo tremulam.

Tiramos os sapatos e cada um deu um longo abraço. Depois ainda nos juntamos em conjunto, sua circunferência permitia que ele nos abraçasse os três ao mesmo tempo, afinal duzentos e cinquenta anos por aqui, deu pra ficar bem fortinho!

Com sua energia acumulada conseguiríamos andar o tempo que fosse de retorno. E olha que não foi fácil!(para mim e para o Nuno, já para a Lurdes foi moleza)

Os 16 quilómetros com o desvio viraram 22. A Lurdes, além do vinho do almoço deve ter bebido água do rio, porque ela cantou o caminho todo e não deixava a gente andar. “Vamos descida!” dizia em qualquer subida para convencer a gente a trotar. Depois de quatro horas caminhando, ja no escuro fomos recebidos pelo Carlos de lanterna em punho. Missão dada, missão cumprida!

Obrigada a todos que fizeram parte e tornaram essa aventura possível. Lurdes, da próxima vez que voce me chamar para caminhar eu vou pensar duas vezes! Valeu pessoal!

Memória colorida em tons turquesa do Zezere e verde vibrante das folhas do Sr Freixo. Energia pura!

 

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One Response

  1. Dos dias de aleria que guardo na minha memória, este fará parte deles com certeza!!
    Foi uma enorme honra entrar nesta aventura e abraçar um ser vivo de 250 anos!!
    A minha alma carrega com a alegria e gente boa por perto♡
    Grata, muito grata🙏🌳
    Obrigada Luli🙏🌸💓

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