II Trail dos Reis

“Amigos amigos, largadas à parte!”

***

Em algum lugar sob o pórtico de chegada Sketes, o maquiavélico anti herói demanda:

“Aponta meu nome, aponta meu nome!! Qual é o número do meu dorsal?! Eu cheguei na frente, eu cheguei na frente!”

Sem entender a urgência de ter seu nome na ordem de chegada, a Lurdes explica ao Sr do controle.

“Fica tranquilo, eles são amigos!”

***

Eu poderia começar pelo começo: escrever o relato do Trail dos Reis, contando dos quinze quilómetros debaixo de chuva, cheios de lama, subidas íngremes, aqui no quintal de casa, solidário aos Bombeiros de Baltar.

Poderia contar que Rui e eu saímos de casa já correndo para largada, minutos suficientes para entregar os dorsais floridos para Lurdes, Carlos, Zé.

“Feliz ano novo!”

Poderia dizer que o Rui em dado momento virou o pé e que minutos depois levou um tombo ninja com saída em cambalhota.

“Não, foi nada!”

Poderia contar que subimos até o cruzeiro e que ventava muito.

Quando estávamos lá achamos um dorsal no chão que era do Carlos Lopes.

“Quais são as chances?”

O verdadeiro enredo é que enquanto nós, ingenuamente corríamos, mal sabíamos, que há alguma distância à frente dali, Sketes como um espião nos controlava e gerênciava sua vantagem.

“Eu cheguei primeiro, eu cheguei primeiro!”

Felizmente o Universo conspirou para que nós, apanhássemos seu dorsal, o que fez com que o inimigo fosse anulado, e cruzasse, eletronicamente, a chegada com a gente:

“Olha o que eu tenho aqui: seu dorsal. Rá!”

15 quilómetros feitos em duas horas!

***

A chegada anula a largada; após cruzar o pórtico somos amigos de novo.

“O Zé vem aí!”

“Bora lá almoçar raclette e comemorar a vida.”

“Feliz ano novo!”

Ah, e Carlos, o Sr que nos aguarde sob a próxima largada!

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