Já na largada estava chorando. Os estágios finais de competições costumam me deixar emotiva, e o cansaço só apimenta a emoção.

Largando de Salakphet, nosso “resort” sobre palafitas, pegamos um back wind que nos ajudou no primeiro quilometro, depois seguimos costeando a ilha.

Nesse primeiro trecho vim sempre remando junto com o Michael.
Hoje estava difícil remar com as bolhas da minha mão direita. Foi a primeira vez que fiz grandes bolhas nas mãos e nos dedos, provavelmente das remadas longas unilaterais contra o vento.
Foram 10 k até Bang Bao, uma pitoresca vila de pescadores com um mercado sobre as águas.
Lá a parada para o almoço foi num restaurante super descolado, em que as mesas eram de vidro sob elas não havia chão, ao sentar as pernas ficavam balançando sobre a água turquesa do mar.
A parada além do almoço também era para compras. Oi?

Bom, já que aqui estamos, aproveitei para comprar um “singing bowl” para minhas sessões de meditação. O passeio pelo mercado serviu também para matar um pouco a saudades da Tailândia em sua essência.
Depois de mais um PadThai (sim, posso viver feliz comendo nesse país) água de coco, e mais um smoothie, a Ayaka minha amiga japonesa me ajudou a pôr curativos protetores nos meus dedos para que a remada ficasse menos dolorida.
Hora de largar. Em formato de estrela formamos um círculo para a a última largada da semana.

Começávamos dando a volta naquela ponta que eu pensei seriamente em fazer uma portagem e cortar 3 k de remo. Aí que saudades das corridas de aventura!

Segui no ritmo que tenho conseguido remar, Aukjie e Janneke vinham junto. Assim que contornamos a ponta avistamos os Macacos.

Eles estavam no alto da pedra, ficamos ali uns minutos observando, quando o barco de apoio se aproximou o Ritske veio imitando o som deles, e inacreditavelmente começou surgir macaco de todo lado e eles se aproximaram!!! Foi muito sensacional!

Ainda ficamos ali uns minutos observando e sendo observados!
Segue viagem!
Eu tinha feito o cálculo que o remo dessa segunda parte seria uns 12 k, porque era a volta mais ou menos do que tínhamos feito no primeiro dia.
Tinha algumas referências das ilhas e da costa, segui remando sozinha.

É claro, como seria de se esperar que o vento entrou, e entrou com tudo. Não seria uma boa história se não tivesse a batalha final.
Eu estava totalmente no limite das minhas forças, tive que remar sentada alguns minutos para me recompor.

Quando cheguei na baia seguinte pelo meus cálculos de quilometragem já estava perto, mas não conseguia identificar na costa onde era a chegada.
Aí vem o barco. “Tô perdida!”
Quando Jesse me apontou até onde tinha que remar: “Sério?! Tão longe?”
Afinal eram pouco mais de 15k, e não os 12 que eu estava esperando. Engole o choro, e vai.

Choro que veio depois com o alívio da chegada, com os abraços divididos de uma conquista dura, nos agradecimentos a todos que puseram tanto amor para que a semana fosse perfeita.

SUP11 islands, 5 dias, 115 quilómetros mais de 21h em cima da prancha consolidam-se numa medalha de madeira das mais bonitas que já vi.

O dia termina numa cerimónia linda de premiação e encerramento num jantar na praia.

Uma competição que estava programada para 2020 e só aconteceu em 2024, num aviso rápido de menos de dois meses de antecedência sem tempo hábil para que pudesse treinar especificamente paddle. Nessas condições sofrer já faria obrigatoriamente parte do pacote.

Para aumentar o desafio; o mar. Remar em mar aberto é sempre uma aventura imprevisível, enfrentar ventos, correntes e condições que variam a cada remada.

O sofrimento, para mim, enaltece o desafio; deixa a água mais turquesa, a massagem mais prazerosa, a água de côco mais doce.
Obrigada Tailândia!

Obrigada Sup11x por todo carinho depositado na organização de uma aventura tão especial.

Obrigada amor, por me incentivar a seguir meus sonhos, mesmo que isso deixe nosso calendário de ponta cabeça 😄 amo te!


2 Responses
Eu adorei cada kilometro!
Sério, senti ( e ainda sinto) a dor nos braços da força ( falo sério, aumentei a carga de treino só para sentir um pouquinho a aventura♡ )
Imaginei a sensação da prancha a balançar nas ondas, o vento, a emoção das partidas e chegadas.
O que eu mais gostei: o amanhecer e entardecer com o céu e o mar unidos, a brisa morna, a água de coco fresquinha e as massagens, ahhh as massagens!
O que não gostei mas apimentou a conquista: o vento e a distância parecer sempre mais longa .
Amei a aventura!
Obrigada mana por partilheres o teu ( nosso) mundo ♡
Love you, Lu!