
O quarto dia é parecido com o segundo; quilometragem similar e uma enorme montanha para subir e descer.
Comecemos pela véspera; depois das quase sete horas de prova, diretamente do lago gelado fui à massagem, meu corpo e pé esfriou e ficou completamente sensível ao toque, doía tanto que não dava nem para encostar.
“Eu, sei como vocês atletas são, mas como isso está, eu não diria para você correr amanhã. Ao invés da massagem acho que será melhor você passar nos paramédicos.”
O veredicto dos médicos foi parecido e ainda me perguntaram se eu gostaria de ir até o hospital. “Não, Obrigada.”
Depois de ajudar na entrega dos prémios do dia, o medico que está no Checkpoint 2 com Florida Joe veio ver meu pé.
“Pode massagem, vai doer, mas vai melhorar!” “Se amanhã você quiser que eu faça uma bandagem para você largar, eu faço! Uma pessoa que me ajudou tanto com seus abraços, está na hora de retribuir.”
Eu estava mesmo preocupada se conseguiria melhorar para encarar a maratona do Medoc que é daqui um mês. A Transrockies, já está na lista das ticadas, não seria o fim do mundo parar e ir trabalhar de staff os três dias restantes, eu estava realmente sem saber identificar a gravidade ou não da dor. Já o Dr garantiu “Massageia e vai na fé!”
A verdade é que massagear mesmo contra as dores sentidas deixou meu pé melhor, eu acordei zerada sem dores, nem da bandagem precisei.

Largar pro quarto dia é um conforto, porque é o único dia que o acampamento não muda de lugar. O sol nasce, a beleza da água esfumaçada e as montanhas contornando Camp Hale.

Um longa subida, mas antes de chegar nela; um pouco de plano.

Outra subida que conheço bem; anos anteriores fiz quase até o topo para achar um ponto estratégico onde as pessoas poderiam precisar de abraços. Já subi também de quadriciclo para chegar no Checkpoint lá em cima (carros normais não chegam lá).

Estava muito feliz, porque meu pé não dava sinais de dor. Será o Ibuprofeno?

Na subida cruzei com uma mulher que estava indisposta. O cara que estava com ela oferecia-lhe tudo que tinha de comida e nada servia. “No!”
“Aposto que quer azeitona!”
“Azeitona???” Com aquela cara do tipo, quem é que leva azeitonas em provas; “Yes!” Os dois me agradeceram muito.

Continua subir.

“Como está o pé? Você não me procurou para bandagem, imagino que, melhor!”

Chego mais ou menos aonde, como staff, provavelmente estaria dando abraços encontro com um imperador romano, hahaha. E com Henry meu amigo corredor de 72 anos. Fotooooo!

E mais outro que larga atrasado e passa voandoooo por mim, mas com tempo para selfie e abraço!

No único lugar que o celular pega, nesses dois dias de competição aproveito para mandar uma mensagem pro Rui.

Andamos pelo cume, e as vistas são de cortar a respiração. Literalmente. O quarto dia é mais um daqueles lindos!


Mais conversas, abraços e fotos pelo caminho.
Ai chega a descida.

Até lá embaixo, no riacho, onde está o último Checkpoint.

Nas primeiras edições da Transrockies a única alternativa de corrida para chegar em Redcliff era correr dentro do rio; eu achava divertidíssimo, mas com o passar dos anos o leito se deslocou e facilitou a vida daqueles que não gostam de molhar o pé. Restou, apenas uma pequena travessia. Hihihi

E o final, tava demorando né? mais um retão daqueles “quebra psicológico”. Mas o dia estava lindo, meu pé tava bom; segue feliz!



Depois de quatro horas e meia, mais uma linha de chegada! Yhhha! Pegar a shuttle e voltar para um almoço delicia no acampamento. Amanhã tem mais. 4 down, 2 to go!


