Aqui no meio do monte fui invadida pelo famoso “joye de vivre”. Talvez sejam os primeiros indícios de primavera, ou serão meus batimentos cardíacos já fora do coração?
Tento acompanhar a roda do Rui que segue na frente da trilha, cantando estratégias e incentivos.
Foi preciso se reinventar no último ano. Sem competições, não deixar a falta de desafios gerar desinteresse de treino.
“Então vamos lá conta do Strava aberta.”
Nunca me interessei pelo virtual mundo, o Rui sabe mais do meu avatar competitivo que eu.
“Reduz a marcha, abre na curva e acelera depois.”
O programa de hoje é novamente encarar o desafio criado pelos “Quebra ossos” e com esse nome sugestivo entramos para pedalar um pouco mais de quinze quilômetros em trilhos lindamente planejados.
“Técnicos para cacete!”
Das coisas que me divertem mais na vida; uma mountain bike em terreno de mountain bike! The real thing! Os estradistas que me desculpem mas, a diversão pra mim sempre “começa onde o asfalto termina.”
O percurso foi criado por amantes e atletas da bike e contempla um trilho que, por sorte, começa no quintal de casa; mais precisamente no Cruzeiro de Baltar, pra quem ainda não sabe; o centro do mundo. Em tempos de confinamento ter um playground quase particular é mais que motivo para agradecer.
O meu sorriso passa a mensagem mesmo que não saiam palavras.
“Agora vai subir, gere o esforço.”
Escuto as coordenadas e tento me concentrar em dominar a respiração e pulsação, como se isso fosse simples.
Tem downhills fenomenais, e para vocês que acham que não sobe muito; talvez até não suba, mas quando sobe…arde!
No final de semana passado a gente fez o reconhecimento do percurso, o Rui na frente e eu me enrolando na própria língua atrás, perdemos algum tempo para descobrir algumas viradas e trilhos.
Voltamos hoje para melhorar meu tempo, enquanto o Rui pacientemente decora a trilha para preparar o seu ataque para um dia, que ainda ha de chegar. Assim entramos na trilha como uma equipe e um objetivo. Meu treinador, o Sr. Babovsky, elabora o plano mostra o caminho eu sigo.
Nos downhills prefiro que ele abra bem a distância, para pilotar acho mais fácil escolher minha própria linha do que me aventurar na escolha alheia.
“Não se preocupa com a velocidade, elege bem a linha.”
Não existe um caminho feliz, existem vários. Se sua energia está aberta, as mudanças não são difíceis, são divertidas.
“Onde começa o segmento do Strava?” E pra quem nunca quis saber disso aqui estou eu despertando meu avatar. Culpa da pandemia!
O que poderia ser uma competição tradicional transformou se em um desafio em trilhos só nossos, onde ao invés de adversários atletas, corro contra o relógio, corro contra meus limites, e dessa vez tentando bater meu próprio tempo.
“Estamos bem, siga!”
Eu penso no que lembro do percurso e ainda temos que subir ao Cruzeiro.
A descida é uma celebração, à bike, ao namoro em forma de pedal, ao sábado, aos trilhos técnicos. Que maravilha!
No trecho final passamos por um biker que gentilmente abriu passagem pra gente:
“Obrigado! Minha mulher está tentando bater o tempo dela.”
“Vai! Já falta pouco!”
Ofegante mal respondo; “Ainda bem!”
Com 1h29 quase 10 minutos a menos que o tempo anterior, com essência do mountain bike correndo nas veias, finalizamos mais um sábado privado de competição, ou seria de competição privada?
Parabéns aos organizadores do saudável desafio; os trilhos são qualquer coisa de espetacular!
Para quem quiser e puder se arriscar o “Desafio BTT QuebraOssos Respect pedalar no confinamento.” Vai até o dia 31 de março.


One Response
Mais um relato surpreendente!!
Obrigado por essa parceria da vida amor!!
Adoro “dar-te roda” <3