
No día anterior no meio de um vilarejo qualquer estacionei o carro já pedindo aos céus um canto para dormir.

Exatamente onde parei o carro tinha uma pousada; um quarto no sótão todo charmoso num lindo jardim…

…e o dono do pedaço, uma simpatia!

Descobri Kristof nas experiências do Airbnb, mandei uma mensagem dizendo que queria remar de 20 a 30 quilômetros em algum rio checo.
Rapidamente ele me respondeu com o plano. E na segunda feira cedo me encontrei com ele e seu amigo Ptr, que deve ter sido intimado para a aventura (isso me soa familiar parte II).

Como nossos trabalhos são iguais pedi que ele me explicasse como se eu fosse uma pessoa que estava remando pela primeira vez, assim a gente fez um intercâmbio didatico e aprendi maneiras diferentes de explicar a mesma coisa.
O rio escolhido foi o rio Berounka, e como no que remei ontem, havia muitos caiaques.
Depois de tomar um shot de rum checo do caiaque alheio, Ptr me explicou que a tradição de remar vem dos tempos do comunismo. “As pessoas eram muito vigiadas e controladas. No rio conseguiam desfrutar mais de liberdade, então reuniam se em suas canoas e desciam passeando e socializando como ainda fazem.”


O ritmo de remada era bom, mais lento do que ontem porque a corrente é mais fraca. En vários trechos existiam corredeiras muito rasas, e aí era preciso tirar a prancha da água e contornar.
As pranchas que usei aqui tem três quilhas em borracha, assim as portadas nas pedras não danificam o material.

Entramos na água tarde, então depois de uma hora de remo já paramos para almoçar.
Em muitos pontos na margem existem placas sinalizando informações sobre o rio, distâncias, portagens, acampamentos e bares.

Encostam se os caiques, aí é comer e beber, as famosas cervejas no país onde Pilsen é o nome de cidade que batizou a bebida.


O ritmo de remada foi bom no limite do esforço versus conforto. Na medida certa. E quando a energia começava a baixar a gente parava para comer e relaxar.


Conheci também a lenda do Vodnik, um personagem que afoga as pessoas para roubar lhes a alma, e aí as guarda num copo tampado com um prato. (Do jeito que a gente pega mosca?) É isso mesmo Kristof? O raio do Vodnik parece um duende, fumando um cachimbo, muitos lugares que tem água aqui tem ele, tipo anão de jardim só que de água haha (depois eu posto a foto).


Engana se quem acha que tive ajuda para pegar a minha prancha e contornar todos os obstáculos do rio. Eles só foram solidários nas últimas portagens porque acho que já estavam querendo chegar.

O visual do dia foi muito bonito, e depois de, mais de cinco horas de esforço, algumas paradas os 27 quilômetros (que as pessoas normalmente remam em três dias) eram história.

Dizem eles, que o recorde feminino brasileiro desse trecho é meu. Hihihi!


2 Responses
Vou confessar…tentei imaginar se fosse eu a tentar fazer essa aventura sozinha e logo surgiram os “ses” e “mas” ,isto e aquilo…resumindo: eu ficaria envergonhada cheia de medos e em casa. E tu sim estás mais que certa! Sais da zona de conforto e assim és feliz.
Vives, sonhas, e disfrutas de tudo!( sou tão repetitiva..) admiro-te muito muito muito♡
Adorei todas as fotos e relato da tua aventura🌸
Como sempre as pessoas de bom astral cruzam seu caminho. Entusiamo e alegria são sempre contagiantes !!! Curti com vc !!!!