Padron – Santiago Day 4/4: Violencia Machista

Distancia percorrida 25 k * Horas de Viagem 8

“O caminho não fica mais fácil, é você que fica mais forte.”

Vamos começar o relato do último dia de peregrinação na hora do almoço. Sim, vamos direto para o clímax da nossa aventura.

Já nas cercanias de Santiago, resolvemos parar num restaurante para almoçar.

Quando o garçom se aproximou da mesa eu já disse:

“Hola. Tenemos hambre!”

A resposta veio logo:

“Yo tambien tenho hambre…de comer dos chicas guapas como vosotras.”

Assim que ele se afastou para buscar o cardápio, Bárbara me pergunta;

“Ele falou o que eu entendi que ele falou?”

A gente demorou alguns minutos para digerir e entender o que se passava ali e, chegamos a conclusão que tínhamos algumas alternativas. Entre elas optamos por ficar caladas, escutar a nossa fome e fingir que não tínhamos entendido o que ele tinha falado.

Claro que quando ele voltou à mesa percebeu que nós mudamos a energia e tratávamos o pedido como uma negociação com o inimigo, sem sorrisos ou aberturas.

O almoço veio, Bárbara comeu um churrasco eu batatas fritas e salada. Nosso corpo estava mesmo precisando.

Pedimos e conta e ela não veio. O Sr “simpatía” fez questão de ignorar a nossa mesa e, enquanto fazia, mostrava uma simpatia extra no atendimento das mesas vizinhas.

Deu tempo de ir ao banheiro, reorganizarmos nossas mochilas, e nada.

“Vamos sair sem pagar?”

Bárbara me olhou reticente.

Ainda fiz uma tentativa, fui carimbar nossos passaportes e lá no caixa mais uma vez fui ignorada, voltei à mesa decidida;

“Bárbara levanta, vamos embora!”

“Mas tu pagaste?”

“Não!”

Dizem que a vingança é um prato que se come frio, o nosso foi bem servido e quente. 

As máscaras mal escondiam os sorrisos dos nossos rostos.

Sem nenhuma preocupação em acelerar o passo, seguimos: “Aqui se faz, aqui se paga.” Tava tudo certo!

As risadas renderam alguns quilômetros, ficamos imaginando a hora que seríamos pegas, a hora da descoberta, e ainda aproveitamos para xingar e extravasar.

A absolvição veio à cavalo, logo em seguida passamos por um trecho com uma placa que dizia; “Espazo libre de violencias machistas.”

Mais uma vez Santiago mandava nos recado.Alguns quilometrinhos para frente e o que parecia que seria longo e duradouro chegava ao fim, logo ali aos nossos pés: a catedral mais emblemática de sempre.

Nos abraçamos e nos esparramamos no chão para absorver a energia local.

Chegar à praça e finalizar o caminho não teve sabor de fim, e se  não é o destino que importa e sim a viagem, continuamos no Caminho certo.

Obrigada Bárbara pela companhia amizade e energia. Saímos daqui mais fortes, em todos os sentidos!

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2 Responses

  1. Mulheres de fibra💗
    Tenho muito orgulho por vos ter na minha vida!
    O.R.G.U.L.H.O🌸🌸🍀

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