Distancia percorrida 25 k * Horas de Viagem 8
“O caminho não fica mais fácil, é você que fica mais forte.”
Vamos começar o relato do último dia de peregrinação na hora do almoço. Sim, vamos direto para o clímax da nossa aventura.
Já nas cercanias de Santiago, resolvemos parar num restaurante para almoçar.
Quando o garçom se aproximou da mesa eu já disse:
“Hola. Tenemos hambre!”
A resposta veio logo:
“Yo tambien tenho hambre…de comer dos chicas guapas como vosotras.”
Assim que ele se afastou para buscar o cardápio, Bárbara me pergunta;
“Ele falou o que eu entendi que ele falou?”
A gente demorou alguns minutos para digerir e entender o que se passava ali e, chegamos a conclusão que tínhamos algumas alternativas. Entre elas optamos por ficar caladas, escutar a nossa fome e fingir que não tínhamos entendido o que ele tinha falado.
Claro que quando ele voltou à mesa percebeu que nós mudamos a energia e tratávamos o pedido como uma negociação com o inimigo, sem sorrisos ou aberturas.
O almoço veio, Bárbara comeu um churrasco eu batatas fritas e salada. Nosso corpo estava mesmo precisando.
Pedimos e conta e ela não veio. O Sr “simpatía” fez questão de ignorar a nossa mesa e, enquanto fazia, mostrava uma simpatia extra no atendimento das mesas vizinhas.
Deu tempo de ir ao banheiro, reorganizarmos nossas mochilas, e nada.
“Vamos sair sem pagar?”
Bárbara me olhou reticente.
Ainda fiz uma tentativa, fui carimbar nossos passaportes e lá no caixa mais uma vez fui ignorada, voltei à mesa decidida;
“Bárbara levanta, vamos embora!”
“Mas tu pagaste?”
“Não!”
Dizem que a vingança é um prato que se come frio, o nosso foi bem servido e quente.
As máscaras mal escondiam os sorrisos dos nossos rostos.
Sem nenhuma preocupação em acelerar o passo, seguimos: “Aqui se faz, aqui se paga.” Tava tudo certo!
As risadas renderam alguns quilômetros, ficamos imaginando a hora que seríamos pegas, a hora da descoberta, e ainda aproveitamos para xingar e extravasar.
A absolvição veio à cavalo, logo em seguida passamos por um trecho com uma placa que dizia; “Espazo libre de violencias machistas.”
Mais uma vez Santiago mandava nos recado.
Alguns quilometrinhos para frente e o que parecia que seria longo e duradouro chegava ao fim, logo ali aos nossos pés: a catedral mais emblemática de sempre.
Nos abraçamos e nos esparramamos no chão para absorver a energia local.
Chegar à praça e finalizar o caminho não teve sabor de fim, e se não é o destino que importa e sim a viagem, continuamos no Caminho certo.
Obrigada Bárbara pela companhia amizade e energia. Saímos daqui mais fortes, em todos os sentidos!



2 Responses
Mulheres de fibra💗
Tenho muito orgulho por vos ter na minha vida!
O.R.G.U.L.H.O🌸🌸🍀
Isso aí !! Da-lhe meninas!!! Parabeeeeeens!!!