Riaño 3a Etapa “I am back”

A terceira e última etapa é um loop que parte do acampamento base, aqui em Riaño.

Mais um dia que promete.

Ontem no dia de descanso consegui comer melhor, e finalmente após quatro dias, comida começou a parar no meu corpo.

Os vassouras, e alguns dos staffs me incentivaram:

“Amanhã você tem que sair! O dia é muito bonito.”

“Nós subiremos até ali.”

Disse apontando para o Gilbo, o pico ponte agudo que reina na paisagem de Riaño.

Depois do primeiro dia, as decisões foram sendo tomadas a medida que meu corpo respondia. Sem expectativas.

“Não adianta atravessar o rio antes de chegar à ponte.” Calma.

No final do dia após um banho de lago (meus banhos foram de rio ou de lago, todos os dias, desde que cheguei aqui) sentia meu corpo melhor.

“Amanhã largamos! Vamos! Vemos o que acontece, qualquer coisa paramos no quilometro 18.”

Meus três amigos de fundão já tinham a estratégia montada.

“Me parece um bom plano. Vou largar!”

***

Gilbo, trajado de gala, espreitava logo cedo como quem diz: “Estou de olho!”

Numa manhã mágica foi dada a largada na praça central de Riaño. Eu já larguei estrategicamente no fundão. Vamos!

Atravessamos a ponte com destino às montanhas prontos para ser parte daquela paisagem.

O caminho serpenteia as vistas de água da represa com as montanhas de fundo carrega os ânimos no máximo. Que dia bonito!

Estava mais uma vez entre os últimos, mas ainda não tinha sido a largada dos que estavam correndo apenas o dia de hoje. Isso acalmava a minha mente.

Três subidas.

A primeira suavezita, só para esquentar. Ali já tinha o primeiro animado abastecimento de água. Eu ainda abastecida pedi para que me jogassem a água na cabeça.

“Segura?!”

“Si.”

Enquanto eu puder esfriar meu corpo, vou fazer, o dia promete muito calor.


A paisagem continua lindíssima. Cruzo com as minhas amigas suíças e aproveito para fazer uma selfie em movimento. “Andiamo!”

A segunda subida era longa, passava por um bosque lindíssimo.

“Estou alucinando! Uma Ninfa!”

Um dos corredores da segunda largada passa por mim.

É possível ver horizontes de montanhas e logo um enorme rochedo. Aí me localizei no percurso.

Subi sempre com os trekking poles e mesmo sem treino específico, meu corpo respondeu extremamente bem; o treino e a técnica do ski cross country perdura! Que maravilha!

Eu não contei a prova pelos quilómetros; eu tinha estudado bastante o percurso e a altimetria, assim ficava fácil saber o que já tinha passado e o que faltava.

Hora de descer. A descida não era tão rápida porque a trilha era estreita e os arbustos muitas vezes não deixavam ver onde pisava.

Horcadas, um vilarejo rural.

“Van con ganas de gañar!” Três simpáticos senhores torciam.

O segundo ponto de água estava uma animação só! Encontrei de novo com  as minhas amigas suíças, joguei muita água na cabeça, e tomei muita coca cola, antes de seguir.

Agora era o encontro do dia; a terceira subida!

Era de perder de vista as “formiguinhas” que escalavam a montanha.

“Nossa! Sobe!”

Fui controlando a respiração e ritmando com os trekking poles. Me lembrei de tantas vias ferratas porque o acesso do paredão era íngreme, e cheinho de pedras resvalantes.

“Piedra, piedra!”

Olhei pra cima assustada.

O calor era intenso, felizmente tinha meu corpo inteiro molhado e aproveitei para refrescar ainda em mais duas fontes no começo da subida.

Quando chegávamos perto do cume, a subida era tão íngreme, tão íngreme que eu guardei meus poles e fui de gatas. Escolhia a linha mais escalável e ignorava a trilha.

“Parace uma gata.” Um dos staff que estava lá em cima.

“Wowwww! Que vista é essa!” (Na hora eu soltei pelo menos uns dois palavrões. A vista era chocante.

“A vista lá do pico é ainda mais bonita.”

Devia faltar uns duzentos metros para o topo, aí o percurso era por uma cumeeira estreita que se caísse pela direita morria, pela esquerda também.

Eu estava super confortável com o passo e só percebi a gravidade da coisa quando vi que o caminho era pontuado por staffs preocupados.

“Por onde vc se sente mais confortável?” Me perguntou um deles vendo que escolhi o trajeto mais vertiginoso.

“Aqui está bom!”

So me dei conta ali.

No pico do Gilbo, a vista é 360 graus!

“Mais uns palavrões!” Desculpa eu sei que não devia mas foi incontrolável.

O começo da descida era extremamente técnico. Aí passei um monte de gente; a técnica de gata passou para orangotango andava com as mãos e passava com as penas em balanço no meio do corpo. No meio de bichos, lembrei de vc mãe, gazela saltitante. Vai ver que saltar está no dna.

Sabia que seria passada por todos que estava ultra passando assim que o terreno se normalizasse. Mas estava me divertindo muito.

A trilha encontra com a da ida e percorremos um pouco do inverso da largada, logo estamos na ponte correndo para o abraço de Riaño.

Me senti bem a corrida inteirinha; tive um dia de Phoenix.

A última etapa da Riaño e o Sr Gilbo preencheram meu coração de pura felicidade.

Obrigada à todos que mandaram mensagens e se preocuparam com a minha recuperação.

Obrigada amor pelo cuidado extra.

Estou de volta!

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3 Responses

  1. Que emoção essa paisagem em conjunto com o teu regresso em forma😍😍😍 Obrigada, obrigada, obrigada por partilhares as tuas vivências 🥰🙏🌸🌸🌸🌸

  2. De orangotango, gazela, gato e macaco todos temos um pouco .
    A vista me emocionou 🤬🤬que lugar lindo !
    Palavrão não é palavrão é emoção 😜

    Beijocas saudosas

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