
Eu não sei a partir de que ano que mudaram o percurso do primeiro dia na Transrockies run, antes a abertura da prova era um pouco mais longa, e no final tinha um retão que quebrava o psicológico de qualquer um.
O final do percurso felizmente mudou! Pronta para o primeiro dia de competição!
Já comecei o work out do dia indo a pé até a largada. Já vestida de urso para dar abraços pelo caminho.
Mal me transformei em “atleta” já era hora de largar. Me posicionei no corral bem para trás, afinal a estratégia da semana difere do plano tosco. A ordem da vez é ir no ritmada.
Seguindo as recomendações do briefing da prova ontem; “São seis dias, não gastem tudo no primeiro.”
Emociona a quantidade de pessoas que vem falar comigo lembrando algum momento em que o abraço fez toda a diferença.

Encontro minha amiga Costa riquenha e o Belga… largou! Vamos!

É engraçado entrar num percurso onde tantas vezes fui torcida, passar depois de tantos anos como corredora.

A trilha afunila no começo. Fila. No rush! Sem nenhum stress, aperto a passada na subida e quando a trilha abre ultrapassaras são eventualmente feitas. Sem pressa.
Com uma hora de prova a gente passa pelo primeiro ponto de água, onde está o Joe, meu “boss” de tantos anos trabalhando no Checkpoint. Abraços. Coca cola e o mais importante; água na cabeça.

Lendo os relatos dos anos anteriores foi fácil prestar atenção onde não poderia falhar estrategicamente. A sorte será sempre um fator, e principalmente por isso é preciso fazer a lição de casa; para não falhar onde podemos controlar.

O percurso do dia é um loop em vários singketracks em que em muitos momentos pensei que seria incrível estar com a minha mountain bike aqui.

A paisagem das montanhas altas no fundo é bela.
Antes de chegar no segundo ponto de água percebi que minhas pernas estavam muito pesadas, imaginei que o sangue não estava chegando nos músculos.

“Ahhh! É a altitude!” Estamos acima dos 2 mil metros de altitude é óbvio que algum pau no sistema ia dar.


Percebi depois do segundo que a melhor estratégia era mesmo me molhar da cabeça aos pés assim meu corpo não precisaria se preocupar em me arrefecer e poderia se preocupar com outras coisas.
Eu não sabia se conseguiria manter o ritmo (que não era rápido, mas bem constante) até o final.

Felizmente meu corpo respondeu bem ao volume que era acima do que tenho treinado.

Com quatro horas e desesseis cruzei a linha de chegada junto com uma senhora que me chamava de hugs! Nos abraçamos na meta.
Fui cambaleando entrar no rio Arkansas e congelar completamente.
Quando fui abastecer veio outra mulher me deu um abraço e começou a chorar. Disse que era a primeira vez que fazia algo assim e só de correr ao meu lado sentiu uma energia tão calma que ela fez questão de vir agradecer. Ela me fez chorar (quem me conhece sabe que isso é óbvio)
E depois que ela saiu eu derreti completamente. Agradeci o presente! É como se a vida fizesse sentido, num flash. Felicidade pura.
Amanhã tem mais!



One Response
Um abraço faz sempre a diferença ♡
Te amo mana, és inspiração pura!