
O segundo dia de prova é um dos que eu mais fiz na minha vida de Transrockies; por ter um check point no meio da montanha; eu sempre fui uma das eleitas para escalar antes do amanhecer para ajudar os atletas lá no topo.
É quase um quilometro vertical de subida, pelo famoso “Hope Pass” atingimos 3.800 metros acima do nível do mar. Dia de alta montanha e seus desafios.

Vamos de ônibus para largada, chegamos com boa antecedência. Dá para fotos com novos amigos e tentar se aquecer um pouco, ainda no sol, porque a manhã é fria.

A largada é perto da entrada da trilha, mas para chegar lá, é preciso percorrer uns quilometrinhos numa estrada gravel sem muita graça. Ali tento imprimir um certo pace para tentar chegar lá um pouco mais bem posicionada. Judith e Tobias correm perto: “Treze anos depois aqui estamos correndo em paces parecidos.”

A subida começa no meio de um bosque lindo. Nem subimos muito ainda e aqui já começa a faltar ar.


De novo com o casal alemão. Eu conheci eles na Transalpine (outra prova bruta de corrida em estágios; 320k em 8 dias), na época eles estavam com a filha pequena, que se encantou comigo e com a Dri, disse que nós éramos as primeiras princesas de verdade que ela tinha conhecido, e depois deu nossos nomes para as bonecas dela.

A Paula está com dezesseis anos! “OMG! What?!” Ali na montanha selamos o pacto que deveríamos, daqui mais 14 anos, arrumar outra competição de corridas em estágio para fazermos juntos. “Que tal?”
“Incrível, e quem sabe a Paula não virá connosco?”

A medida que vamos subindo, o cenário da montanha vai se modificando; paisagens, escalas e proporções.
“Não seria mais fácil estar com um trekking pole?” Definitivamente seria, e o dia hoje pede, mas essas viagens de pouca bagagem e de multi destinos me deixaram sem hipóteses de colocar essa “arma branca” na minha mala de mão. Então engole o choro.

Depois de um par de horas subindo, finalmente atingimos o topo da passagem da montanha. “Hello Hope pass, nice to see you again!” Comemoro, tiro foto e toca descer alguns metros até o abastecimento.

A descida é super técnica e divertida; uma trilha cheia de raizes, pedras, curvas. Que delicia! Deu bem para acelerar, e lembrar dos tempos áureos onde em 2009 (!) Chris e eu descíamos aqui sem freios.


Até chegar num extenso “never ending” plano maldito que margeia o lago, e nunca, nunca acaba. Ali meu corpo já sentia o cansaço acumulado do dia anterior da altitude e esforço do dia e eu estava tendo que gerir muito bem minha cabeça para conseguir correr.
Foi quando apareceu Margareth, minha amiga do final da prova de ontem. “Bora!”

Impressionante a vitalidade dela; quando eu diminuis o ritmo ela vinha com suas longas pernas power walking atrás de mim que me dava até nos nervos. Lembrei do Carlos e quando ele resolve andar igual. Definitivamente power walking é algo que eu deveria treinar. Andar, andar rápido com aquela potencia, que eu, ali correndo, não estava acompanhando.

Ela teve a incrível percepção de ir me distraindo contando causos e histórias para que eu seguisse correndo. E assim foi. Uma parada obrigatória para dar alguns abraços na turma do abastecimento que estava ali no trecho final só dando suporte de torcida mesmo. Joe, Marti.
No finalzinho ainda nos juntamos com mais uma e seguimos as tres cor de rosa rumo (finalmente) à chegada.
48 no open woman, na categoria oitavo. Treze minutos mais lenta que o tempo de 2011, ano que eu morri no plano final também hahaha. Até que não tá mal.



One Response
Que bonita a Paula, adorava ver a replica de foto do antes e depois com as bonecas Luli e Dri♡
Eu amo parar no tempo, principalmente ao final do dia, e ter o privilégio e honra de ter este momento de viagem♡ Lu, eu sinto até os aromas dos lagos e árvores daqui♡ Obrigada por me levares até aos “teus” sítios♡